10 fevereiro 2010

No Dia do Menine Jasus

Óguns meses depois do processe ilêtural ês ke se chega ó mês do Natal e do Champanhe. A cena seguinte passa-se ó pé da Peliça entre a Avenida e a Sóvila, même, même ó pé da Praça.
Maricãinda: Chambri, Chambri! Ai ke cá de cavalo! Nem p’ra mim olham estes mal injorcades ke vêm pa esta terra só pa kemê tramósses e mejár nas Sintrinas.
Marimila: Ké ke tu kés ámiga? É a crise... Mas beberam áuga da fontinha e agora nem inchetades se vão imóra.
Maricãinda: A crise? Issé kera béle! Esta gentinha na fica no mê redechão pre menes de dois mil oires.
Marimila: Dois mil oires? Kem te dera ke te desse mil…
Maricãinda: Mil? Pra isse nem me desarremava.
Marimila: Mas pra kuantes dias kés tu alegar?
Maricãinda: Quatre diazinhes. Quinta, sexta, Sábade e Demingue.
Marimila: Quatre dias per dois mil oires?! Tu tas tonta à camada de varejas. Isse nem no Ritz!
Maricãinda: Na ké saber. Não há Ritz na borda d’áuga. Kem kiser ke se console. Ai vem aí uma caminéte. Os de incarnade são meus!
Marimila: Ai ke fegosa. Vai timóra ke por esse preçe deve ser tude em archotes. Nem o Hotel do Mar-Alto ela alegava por esse preçe même com almoço de Patarroxas.
Mardajula: Olhem vô-me imóra fazer uns pirinhes d’arroz doce pa má logue kemer pa consuada.
Marimila: Vais timóra? Fôtes cagar à lota? Assim é ke é! Fazem figuras de pobrezinhas mas até têm tempe pa fazer arroz doce sem alegar as casinhas. Deves ter contrate cu Rê dos Chambres né?
Mardajula: Ké ke kés dezer com isse seu atáke cebral? Olha ke vô-me a ti ke ficas kemó Sante Sedare. Sua invejosa! Vai mas é pa casa dermir ku tê homem, invés dires pó balhe dos diverciades n’Ázoia. És tal e kual a Ingrácia.
Marimila: Agora é ke foi! Sua vaca selona. Uma melher destas ke é capaz de dá semisse ó Impér Brasilêre! Tem dade caminhe ó ma fertuna ka sogra, ke deus tem, lhe dexô, tude em abatanades, terradas e fates pás marchas e pó carnaval. Vai mazé ver com kem tá a tu filha detada anda…
Maricãinda: Mas ke inchentes são estes? Vô-mimóra um segunde do pé de vocesses e é log’iste.
Mardajula: Ké ke tu ké? É esta prigosa ke me tira do sentide. Kóke dia é manta. Dexua estrafegada inkestada ó telefone dos taxes. Vô-me imóra daki pa na m’apekentar k’oje é o dia do senhor.
Maricãinda: (entre dentes) Ófará se na fosse…
Entretante chega ó poise das chambrêras a Ortensa.
Ortensa: Indákitão? Na me digam k’inda não alegaram? Lá pra cima já alegou tude!
Maricãinda: É o ke tu vês olha! Indá becadinhe m’aparceu uma gentinha mas kria per três dias quenhentes oires e mandeus pá praia da Vestiaria!
Ortensa: Pe três dias não era mau! E atão com esta crise…
Lógue em seguida ês ke surge o chefe da peliça
Chefe da Peliça: Óvi dezer ke tavam àver desacates neste molhe, é verdade?
Ortensa: Vô-me já imóra ke na kere nada ca peliça senão o mê ómem matava-me com tanta pancada.
Maricãinda: Não sô Peliça, eram duas amigas ke tavam a mestrar as dêxas duma cegada pó carnaval.
Chefe da Peliça: Ah, pronte. Mas s’eu sóber ke tão a dar strilhe n’Ávenida vem tude pó poste e só alugam do Calhau pa riba!
O chefe da Peliça caminhô calmamente pá frente do mar pa multar os ke na lhe pagam terrade e no même stante desapareceu todo munde da frente do Hotel. Iste num lindo dia de Natal...

1 comentário:

  1. Então cobarde não aceitas os comentários, escreves o que queres e, não aceitas os comentérios!Pelos vistos queres mesmo um emprego!

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