21 dezembro 2009

Segunde Áte - Kuase na Fêra ó Mê Dia

Despôs das Mardajula e Órtensa se terem aviade na Praça e de terem guardade as batatas e o calde verde no Talhe forem pá porta da Praça esperar pá'miga Maricãinda ke vinha da Farmácia da Sóvila.

Órtensa: Olhem kiste em?! Já é quase mê dia e akela perdida na m'aparece pa imes imora pá fêra. E tu ke bem óvites akele demoine do mê ómem ke se na lhe ponhe o kemer na mesa à hora do jernal é a manta.
Mardajula: Tá segada ca moinanta já' li vem...
Maricãinda: Ai Jasuuuuus! Acudem-me keu tô pa merrer.
Órtensa: Olha, kés tu ver késta vai striar o Telefério dêtada?
Mardajula: Dôskêra ke não, mas com tantas pragas ke lhe regaram inda lh'aparece algum cangare. Mas vô-lhe já perguntar... Maricãinda, kié isse melher? Alguma nevidade? Na me digas ke tens alguma coisa ruim?
Maricãinda: Ukê cá de catane?! Graças a Deus na tanhe nada for'ás dôs de barriga que me põem à'rretar à mercela.
Órtensa: Atão o ke foi isse melher? Na me digas ke fotes assaltada pum drógade?
Maricãinda: Antes fosse... Atão não é k'akele desgraçade do homem da farmácia na me kis dar uns pózes fiades.
Mardajula: Ma na tãis aí denhere?
Maricãinda: Tanhe krid'ámiga mas akele desgraçade sabe bem keu vô pá fêra apreçar umas carpetes e ca nha reforma só vem pá semana.
Órtensa: Mas send'assim compra hoje os pózes e pá semana compras as carpetes!
Maricãinda: Na posse melher ke chega-m'ámanhã uma gentinha de fora pó mê rédechão e tenhe as carpetes todas inchamardiadas.
Mardajula: Tens bom reméde catane! Vai lavá-las ós tankes. Até tá um rike dia!
Maricãinda: Na pósse melher precósa da nha spandilóze e destas dôs de barriga ke me tão a matar...
Órtensa: Olha atão vai lá comprar os pózes ke kuand'eu vier pra casa impreste-te umas passadêras ke tanhe no sóte.
Maricãinda: Ai óbrigadinha krid'ámiga é uma grande tresteza sê pobrezinha e na ter ómem com reformas do imbarke. Vô atão tê contigo depôs do almôce. Agora vô'mimóra comprar os pózes e chamar tude kuante é mau ákele desgraçade ke só parece um padêre a imbrelhar felares.

Intretante a Mardajula e a Órtensa assobem  p'ávenid'ácima a caminhe da Fêra.

Mardajula: Ólha k'obra impertante aki tá. Deve ser um Casine ó intão é desta ke vem pá ki o Rêne de Deus... 
Órtensa: Mas kual Rêne de Deus cá de catane! Atão tu na sabes ké pa se fazer a nova Junta? E só tá parada perku Vereador dos Barranques fez tude mal fête. Kãi me disse foi o kezenhêr da Junta. E tabém na punham o Rêne de Deus ó pé dos Pretestantes melher.
Mardajula: Ai k'inliadêra. Mas tu ind'ácreditas nesse pove melher? A mim desserem-me ko dinhere tá lá tôde. Xku Rê dos Impregues é ke na ker a Junt'ó pé da Cambra precóza dum vezinhe do Barre dos Pescadôs kêchôsse que lhe straga a vista dos chambres.
Órtensa: Olha na sê. Mas kem deve saber é o Rê dos Chambres ke táli à porta da Câmbra. Este sabe tude é pior cá Maricãinda, só lhe falt'andar de saia de roda...
Mardajula: Inda bem ca'ki tás precóza duma têma. Ôve cá Rê dos Chambres preké ca Junta na tá pronta?
Rê dos Chambres: Atão na sabes? Foi o Vereador dos Barranques ke ficô cu denhere e agora o Kezenhêr da Junta tem de pedir impestade ó Rê dos Impregues. Sabem bem ke só digue a verdade keu na sô de mintiras e ke só aki tô p'ájedar a gentinha ke vai bazar o mije á borda d'áuga de manhãzinha.
Mardajula: Mas o vererador dos Barranques na teve lá de graça? Xke até fez uma státua duma fertuna cu denhere k'avia dareceber.
Rê dos Chambres: Isse é tude mintira melheres, acreditem im mim keu é ke sô sério. A Órtensa sabe bem k'eu digue sempre a verdade. Esse ke vocês tão a falar até ker acabar cu chambres...
Órtensa: Eu na te disse melher! Até os chambres este pove ker levar da gente. Se ta gáte! De mim na levam nem bom dia. Chô miôte...


(Continua...)








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